Mais um trágico acontecimento envolvendo um indivíduo lunático, armado até os dentes, desferindo tiros a esmo e matando pessoas inocentes por uma instituição de ensino norte-americana. Afinal, o que leva um cidadão a cometer tal barbaridade? Que reflexos são esses, que levam um homem a loucura e a cometer atos de barbárie como esses? Convido a todos para reflexão.
Sem que necessitemos de muito aprofundamento, mas com um pouco de discernimento (conhecimento), sabemos que historicamente os Estados Unidos da América têm sua história fundada em crises sociais sangrentas e guerras civis. Muitos dos filmes de época produzidos por lá nos mostram o quanto houve disputas e batalhas violentíssimas por poder e liberdade. Além disso, desde muito tempo, os americanos, também influenciados pela cultura inglesa colonizadora, têm verdadeira paixão por armas e tudo que envolve artigos militares. Onde quero chegar? Simples, enraizado profundamente no coração e na cultura dos americanos está à cultura das armas e a violência.
Sexta-feira estive no cinema, depois de um jejum de quase dois anos, e pude presenciar os trailers dos filmes de Hollywood que estarão logo em pré-estréia pelo país. Todos, de uma forma ou outra, extremamente violentos. Mais do que isso, filmes que elevam a violência ao glamour. Algo que filmes como Kill Bill Um e Dois já fizeram e tantos e tantos outros. Poderia encher páginas e mais páginas com nomes de filmes, mas acho que isso nem é necessário. Todos concordamos. Quando se vive numa cultura onde se presa o TER em detrimento do SER, onde se luta por poder material, onde o orgulho e o egoísmo são inconscientemente as chaves da existência e onde a espiritualidade e tudo que se relaciona com ela são consideradas coisas sem importância, ultrapassadas, fora de moda, se vive num barril de pólvora, num campo minado. Daí a quantidade pequena, mas crescente, de pessoas desequilibradas, sem valores morais, loucas e ou dependentes de drogas pesadas, sempre dispostas a horrorizar o mundo com atitudes irresponsáveis – colocando a vida de muitos em risco – ou mesmo deliberadas – como o caso do indivíduo em Columbine e agora em Virginia.
Mas não é preciso ir muito longe para que encontremos uma sociedade com valores muito similares, não é mesmo? Que realidade vivemos no Brasil? Aqui também se vale mais pelo que se tem do que pelo que se é. Aqui também glamourizamos, de certa forma, a violência. Aliás, qual o menino pobre - morador de uma favela ou de um morro qualquer, sem acesso a educação ou cultura - não quer ser como o maior e mais rico traficante?
E como se não bastasse... Ligue-se a TV! Se os Estados Unidos são os mestres na tela grande, o Brasil é país prodigioso no que se refere às aberrações e divulgações de absurdos na telinha. Peguemos os comerciais ou as novelas como exemplo. O que vemos diariamente sendo exaltados senão a sensualidade, o sexo, a beleza feminina, o estereotipo de beleza vendido pela mídia de massa. Está aí um dos grandes diferenciais culturais do Brasil em relação ao resto do mundo. É no cerne de nossa cultura que encontramos a diferença. Norte-americanos com seu cerne na luta, nas armas. Brasil com seu cerne fundamentado na sensualidade. Afinal, em que país do mundo a sensualidade e a beleza feminina, o sexo e as coisas do corpo são mais exaltados que no Brasil, terra tropical, de muito sol, belas mulheres e praias paradisíacas? É claro, nosso país não escapa da violência urbana. Em especial, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife estão sempre nas páginas dos jornais elevando as estatísticas de assassinatos, assaltos a mão armada, mortes por bala perdida e etc. As duas primeiras cidades pelo sua alta densidade demográfica e desemprego e as duas últimas pelo alto nível de desigualdade e miséria.
Estamos realmente num período de muitas e rápidas mudanças no planeta. Em todos os segmentos. Em nosso meio-ambiente, na ciência, na quadro político e religioso, mas, principalmente no que se refere a nossa sociedade e seus padrões e valores, que obviamente sofrem o impacto de todas as mudanças. Tudo se resume a uma lei da natureza, muito simples, chamada pela física de ação e reação, que afirma: toda ação gera uma reação. A ação é sempre imediata, instantânea, a reação não. Pode demorar semanas, meses, anos e muitas vezes séculos para acontecer. Isso vale pra tudo na vida. Desde uma briga com um colega de escola ou trabalho, passando por uma briga conjugal, um confronto físico, uma manobra ou ação mal realizada ou coisas ainda maiores, como a ação do homem sobre a natureza. Tudo e todos estamos sujeitos a essa lei, a todo tempo, em qualquer lugar que estejamos do universo.
O que aconteceu nos Estados Unidos – na realidade o termo certo seria “o que vem acontecendo”, porque não é a primeira vez – nada mais é do que o reflexo de uma sociedade violenta e materialista em todos os sentidos. São colheitas de uma semeadura de centenas de anos, onde o ser humano foi reduzido ao que tem, ao que ostenta ou aparenta. Onde há a exaltação do materialismo e o rebaixamento do espiritual. A glamourização da violência, do sexo e das drogas - lícitas e muitas vezes ilícitas, como maconha. Sim, glamourização! Atualmente é considerado bonito, entre a maior parte dos jovens, americanos ou brasileiros, ostentar-se violento, rico ou mesmo consumidor de maconha. Você vai ao cinema ou aluga um filme “hollywoodiano” e vê jovens bonitos, tattoados, com estilo, assaltando bancos, protagonizando tiroteios e perseguições motorizadas em alta velocidade. E como se não bastasse, além disso, ainda há a presença magnífica e triunfante do egoísmo, do orgulho e da hipocrisia em nossa sociedade. Assim fica aquela história: “não, comigo não. Eu não participo dessa moda!” Mas a realidade é que todos, sem exceção, participamos e, se não, compactuamos.
Bem, já estou me estendendo muito. Mas, pra finalizar, espero que a sociedade norte-americana e, porque não, todo a comunidade mundial avalie bem suas leis quanto o acesso as armas. Eventos trágicos como esse ocorrido e tantos outros envolvendo armas de fogo não ocorrem por acaso. Comoções sociais como as que estamos passando devem servir para que a sociedade como um todo possa debater assuntos sérios como esse e que influenciam diretamente em nossas vidas e irão influenciar na de nossos filhos e netos. É preciso, definitivamente, mais controle sobre a venda de armas e munições! Não podemos mais viver à mercê de lunáticos como estes. Ontem mais um tiroteio em Universidade americana. Hoje tiroteio no Rio de Janeiro entre polícia e traficantes, com diversos feridos em balas perdidas. Amanhã, mais um massacre enlouquecido lá fora e tiroteio entre polícia, traficantes e moradores armados nos morros do Rio! É o caos. Saibamos aprender com os erros! Ou eles nos cobrarão preços cada vez mais altos!
Fiquemos resguardados na PAZ, se Deus quiser.
Por: Noise D - Porto Alegre - RS em 18 / 04 / 2007