(...) Em 1984, Walter Salles Júnior quis fazer um filme sobre Zuzu e encomendou o roteiro ao chileno Jorge Durán. E este roteiro, baseado em fatos reais, é emocionante. Há uma cena em que a personagem de Zuzu indaga a um general: "Onde atiraram o corpo do meu filho?" e a seguir, começa a recitar a carta enviada pelo ex-preso político Alex Polari que relata a morte de Stuart, e que ela Zuzu, sabia de cor. "Na mesma noite fui torturado ao lado de Stuart, na base aérea do Galeão. Stuart foi arrastado de um lado para o outro, seu corpo esfolado, amarrado a um jipe (...) ele forçado a aspirar os gases tóxicos do veículo, o cano de descarga enfiado na boca". (...)
“Zuzu Angel” parece ser fiel à luta da costureira de moda Zuleika Angel Jones para provar que seu filho havia sido torturado e morto nos porões da ditadura. Um belo trabalho do diretor, de Patrícia Pillar (Zuzu Angel) e de Daniel de Oliveira (Stuart Angel). E, ao contrário do que muitos disseram, há emoção no filme, sim. É o caso das cenas em que Zuzu supostamente encontra o pai de Lamarca (Nelson Dantas) e a conversa que tem com o espírito de Stuart no final do filme. Também emociona a bela e dolorosa música que Miltinho e Chico Buarque fizeram para a mulher que só queria embalar o “filho que mora na escuridão do mar”.
Se pudéssemos construir um texto somente a partir de citações, assim começaríamos um artigo sobre Zuzu Angel, a mais recente direção de Sérgio Rezende:
"O filme conta a história de Zuzu Angel, uma estilista de sucesso internacional, que se vê diante dos horrores da ditadura e da tristeza de ter o filho, Stuart Angel, torturado e morto pelo regime militar" (Das primeiras notícias na imprensa).